ESC2013: Crónica sobre a final da Eurovisão - por Cláudia Peres de Matos




Saudades de um festival que acabou de terminar...

       Este ano, apesar da contenção de custos, as expectativas quanto à organização eram muito elevadas, pois trata-se de um país em que a febre eurovisiva está ao rubro nos dias de hoje. O objectivo traçado foi conseguido: um espectáculo mais intimista, tendo uma única (e óptima) apresentadora e um palco de dimensões mais reduzidas. Penso que os planos de câmaras foram muito bem conseguidos, mas, depois de um palco enorme em Baku, estava a espera de algo mais exuberante que destacasse mais os backgrounds.
       As aberturas dos três espectáculos foram divinais: Loreen com uma versão diferente de Euphoria, com crianças e linguagem gestual, tal como já havia apresentado no Melodifestivalen; o talento e o espectáculo visual pelo grupo de abertura da 2ª semi-final; e uma abertura na final bem ao estilo dos jogos olímpicos: o desfile de todos os países da final e respectivos intérpretes pela sua ordem de atuação, fazendo jus ao tema: “We Are One!”. Destaco pela positiva também os interval-acts, principalmente as atuações de Darin e Agnes, demonstrando o talento musical jovem da Suécia, e a interpretação de Sarah Dawn Finer de “The Winner Takes It All”. Claro está, não poderia faltar uma referência aos Abba nesta edição.


       Apesar de já termos tido conhecimento há bastante tempo, não posso deixar de elogiar o design criado: o símbolo das borboletas. No entanto, nos vídeos de apresentação das canções, faltou um pouco a referência ao país anfitrião: gostei da música de fundo e das imagens dos concorrentes, mas se tivessem sido gravadas na Suécia, dando destaque aos pontos turísticos e transmitindo imagens diferentes nas semi-finais e na final, ficaria tudo mais rico, apesar de ter consciência que seria difícil gravar tudo isto na semana de ensaios. Também adorei o som emitido imediatamente antes do início de cada atuação e da abertura das votações: o começo de Euphoria, que fez com que a canção vencedora do ano passado e o motivo pelo qual a Suécia levou o certame para Malmö, estivesse sempre presente. 
      Na exibição da final de Sábado, gostei de rever Eric Saade, apesar de ter consciência de que não estava nada à vontade (teve que decorrer o tempo todo aos cartões de apresentação). Pergunto eu, porque não lhe puseram um teleponto. Também não gostei da última parte, relativa à votação. Foi tudo muito acelerado e ainda houve o lapso de chamar Emmelie ao palco, após feitas as contas da sua consagração, quando faltavam ainda alguns países atribuírem os seus votos. 


       Relativamente ao desempenho dos artistas, também foi notório o nervosismo de alguns e o quão isso atrapalhou a sua performance, como foi o caso da Moldávia e do Azerbaijão na final. Também foi bonito vermos alguns a emocionarem-se no final da atuação, como Cezar e Roberto Bellarosa. 
       Quanto aos resultados da primeira semifinal, foi uma surpresa a não passagem da Áustria. Apesar de também relevar algum nervosismo, foi uma atuação bem conseguida, mas não chegou para impressionar. O mesmo sucedeu com a Sérvia: são boas cantoras e a música não era má, mas a forma como a apresentaram em palco não foi a melhor: uma coreografia teatral e uma indumentária completamente desadequada ditaram o fim da sua participação. Idem aspas com Montenegro: se apresentassem a canção de outra forma que não numa coreografia “em modo robot”, teria tido mais hipóteses. Andrius Pojavis e Birgit Õigemeel conseguiram conquistar o público pela sua canção orelhuda e pela sua forma suave de cantar, respectivamente. Contra todas as previsões foram passagens justas. Destaque positivo também para a Bélgica. Na primeira vez que ouvi “Love Kills” achei que nunca teria “pernas para andar”, devido aos lapsos vocais de Roberto. Mas após a apresentação da nova versão e da sua prestação em palco, adorei todo o trabalho feito e faço uma vénia para a competência vocal de Bellarosa na semifinal e na final do ESC. 


       Na segunda semifinal, os resultados foram mais surpreendentes: para mim, Albânia foi uma das atuações da noite. Sei que esta canção é odiada por muitos, e, apesar de já estar à espera, fiquei triste com a sua não continuidade, pois mereciam por tudo o que fizeram em palco. Moran Mazor e o seu vozeirão também contribuíram para um belíssima interpretação por parte de Israel. Apesar de não gostar muito da canção, não estava a contar que “ficasse para trás” (tal como Tooji no ano passado, também Moran teve uma rica prenda de anos!). Mas a surpresa maior foi São Marino. Apesar dos ensaios não terem corrido muito bem a Valentina, a sua performance foi muito boa. Neste caso, vem ao de cima a velha história: esta canção estaria na final se fosse apresentada por outro país? Por outro lado, Hungria e a Arménia surpreenderam em palco. A Hungria apresentou um dos melhores backgrounds. Os Dorians não estiveram mal, mas não os colocaria na final. A Finlândia, para mim, foi uma das piores de toda a edição. Só passou por ser tão polémica, pois não vejo interesse nenhum naquela canção e muito menos na sua apresentação em palco. 


      Acompanhei o espectáculo da final pela RTP1, tendo como voz-off a nossa Sílvia Alberto, que ao longo da emissão foi manifestando, ainda que indirectamente, as suas preferências quanto às canções. Não tenho nada contra o seu trabalho, muito pelo contrário, pois tenho acompanhado todos os seus programas e acho-a uma excelente profissional, apenas penso que estaria mais correto se tivesse sido imparcial.
       A vitória da Dinamarca já era esperada. O facto de ter sido atribuída a vitória a um país que, desde o dia em que a sua canção foi escolhida, já se previa que iria vencer, faz-nos pensar que foi uma vitória forçada. Apesar de achar que não foi injusta, tinha outras preferências. Farid, apesar de estar a tremer na final, cantou com muita garra, e o Azerbaijão apresentou aquilo a que eu chamo um “grande palco eurovisivo”. Foi das atuações mais originais que vi até hoje e mereceu o 2º lugar. Ucrânia também foi uma frescura, com muita leveza e grande capacidade vocal evidente de Zlata. A prestação de Margaret Berber na final foi a melhor que fez até então, desde os ensaios e semifinal. Rússia costuma ficar sempre bem posicionada. Apesar de ter tido uma boa prestação, ocupar um 5º lugar foi de mais. Adorei a Grécia: o vocalista dos Koza Mostra tem uma voz muito acentuada e segura, e a garra que demonstraram foi hilariante, portanto um 6º lugar foi bem merecido. As minhas expectativas quanto à Itália eram muito elevadas, pois, como já tinha referido em crónicas anteriores, era uma das minhas favoritas a concurso. A performance de Marco desiludiu-me um pouco: houve alguns improvisos que não resultaram muito bem. No entanto, fizeram bem em apostar na simplicidade e, ainda assim, mereciam um top 5. 


       Quanto aos restantes BIG5, não houve nenhum que me surpreendesse pela positiva: França foi mau (alguém reparou naquela unha sem verniz?), Reino Unido foi desadequado, Alemanha deveria ter sido mais explorada, Espanha teria sido uma boa performance se não tivessem sido as desafinações de Raquel. A 14ª posição para a Suécia foi talvez dos resultados mais injustos, pois foi uma fantástica performance e eu até lhe daria a vitória (apesar de saber que não iria ganhar de novo). Igualmente injusto foi o último lugar da Irlanda. Para um país que nem sequer passou “à rasquinha” na semi-final e que foi bastante competente em palco, não era de todo esperado este resultado. Roménia e Hungria deram-nos resultados surpreendentes, que muitos não contavam. Destaco positivamente a capacidade vocal de Cezar, tal como já previa antes de pisar o palco eurovisivo. Por sua vez, Geórgia foi um flop: continuei a não gostar muito da atuação na final devido à voz trémula e aguda demais de Sophie. Já Eyþór Ingi deixou-nos “de boca aberta” com o seu vozeirão e com a sua transparência a cantar, pelo que merecia um lugar mais favorável. A 11ª posição para a Moldávia foi uma vitória após os deslizes vocais de Aliona Moon. Alyona Lanskaya também teve os seus deslizes, mas com o auxílio das backvocals durante toda a actuação, ajudou a disfarçá-los. Ainda assim, na final soltou-se mais em palco e para uma canção como esta que não sobressaiu das restantes, o 16º não foi um mau lugar. Tomorrow foi a canção que mais se fez ouvir na Malmö Arena, e assim Malta ficou bem qualificada também graças ao carisma e simpatia de Gianluca. Holanda vincou pelo sucesso de Anouk, que apresentou-nos Birds numa forma intimista. 


       Em mais uma viagem musical pela Europa, destaco, pelo segundo ano consecutivo a qualidade musical que nos foi apresentada. Apesar de muitos considerarem esta edição mais fraca do que a de Baku, penso que tivemos diversidade, qualidade, espectáculo, que só poderá ter desiludido em alguns aspectos, pelas grandes espextativas criadas. Na hora da verdade, as questões politicas já nem se discutem e, como sempre, são previsíveis. 
      Que para o ano, na Dinamarca, o espectáculo continue a fazer vibrar todos os fãs eurovisivos, desta vez, com Portugal a concurso! 

Imagen: Google/Vídeos: Youtube
21/05/2013

3 comentários:

  1. Lá está: vocês ligam demasiado ao que não interessa! O que interessa se a coreografia e indumentária da Sérvia eram desadequadas ou se a interprete da França não tinha uma unha pintada? Para a dança, a Eurovisão tem um concurso próprio e para as roupas o que não falta são competições de moda. Esse é problema de muitas pessoas que votam: ligam mais a outras coisas que não a canção em si e a qualidade do interprete. De resto, concordo como resto.

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  2. Caro g_afim:
    Já fiz parte de uma iniciativa do "Crónicas" intitulada "Grandes Palcos Eurovisivos", que está inteiramente relacionada com este assunto: a Eurovisão não se faz só da canção. Tudo é valorizado. Não é por acaso que se aposta cada vez mais em bons cenários, coreografias e apresentações originais em palco, pois todos esses aspetos contribuem para o espetáculo eurovisivo. O que é certo é que todos nós começamos a ver as canções com outros olhos (quer para o lado positivo ou negativo) após conhecermos a forma como é apresentada. Portanto, nas nossas crónicas de opinião sobre o ESC opinamos sobre tudo o que envolveu o certame.

    Obrigada pela preferência.
    Cumprimentos eurovisivos.

    Cláudia Peres de Matos

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  3. Cara Cláudia Peres de Matos:
    Eu quando vejo uma perfomance eu ligo mais a maneira como a canção é interpretada e se a melodia me agrada. Quando a canção nos agrada o resto é secundário. Albânia de 2012 é a maior prova do que digo.

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