ESC2013: Crónica sobre a final da Eurovisão - por Jessica Mendes



Até para o ano, Eurovisão!


     Comecemos pelo princípio, ou seja, a vencedora! Não posso dizer que seja merecido nem imerecido. Não era de longe a melhor música, a melhor intérprete, a melhor letra ou a melhor performance, no entanto foi bastante eficaz. “Only Teardrops” fica no ouvido e agrada à grande maioria dos eurofãs, mas fico com a sensação de que faltou um toque especial (e não devo ter sido a única, a julgar pela pequena diferença de votos para o segundo classificado).


     A  Suécia ofereceu-nos um bom espetáculo, bastante superior ao do passado ano em muitos aspetos:  desde logo na apresentação, nos atos de abertura, nos postcards, nos planos de câmara e no design. Petra Mede foi uma boa anfitriã, mas sempre muito mal vestida (digna de vencer um Barbara Dex Award),  com umas piadas que deixaram bastante a desejar e, sobretudo, sempre a ler aquilo que estava escrito no papel (não existe teleponto na Suécia?). Gostei muito do espetáculo de abertura da primeira semifinal com as crianças a cantarem a música vencedora do passado ano (apesar de não gostar especialmente de “Euphoria”, admito que esta versão foi mágica) bem como do da final que me fez lembrar os Jogos Olímpicos.  Os interval acts foram fraquinhos principalmente aquele que foi protagonizado por Loreen: ela estava horrivelmente vestida e cantou o mesmo de sempre (“Euphoria” e “My Heart Is Refusing Me”), como se não tivesse mais músicas. Outro ponto negativo foram as intervenções da Madame Lynda: achei-as sem piada e acima de tudo não gostei da parte em que gozaram claramente com Chipre e com Bonnie Tyler, que merece nada mais que o nosso respeito pela maravilhosa carreira que tem/teve.


       Quanto às semifinais fiquei em estado de choque por uma razão principal, e não foi a não passagem de São Marino à final mas sim a passagem da Arménia. “Lonely Planet” é das piores “músicas” que alguma vez ouvi na Eurovisão, mas foi à final e não ficou em último (choque total!). Quanto à eliminação de “Crisalide” era mais que óbvia assim como a da Áustria. Não esperava a eliminação da Sérvia (afinal eles vão sempre à final) nem a passagem da Bélgica e Hungria. Também não via a Lituânia como finalista, mas sejamos sinceros: a música é atual e, apesar de ser completamente básica, agrada ao público jovem e Andrius soube interagir muito bem com  as câmaras (mesmo com as suas sobrancelhas hiperativas).


     O momento mais cómico da Eurovisão pertenceu, sem dúvida, à Grécia. Uma atuação super divertida, animada e cheia de ritmo. Merecedora completa do sexto lugar que alcançou para mal dos haters. Não acho que a Ucrânia devesse estar no top 3 nem tão pouco entendo tal votação: a música era repetitiva e a atuação não tinha nada de especial. Também acho o lugar da Rússia demais para uma balada básica, uma voz que não se destaca e uma atuação só com umas bolinhas de luz, mas isso sou eu. Outra atuação que adorei foi a da Islândia. O fundo era o mais bonito e a voz de Eythor fenomenal.



     Gostei do lugar alcançado pelo Azerbaijão, aliás, acho até que devia ter sido o vencedor. A música pode não ser nada do outro mundo (é bonita, mas nada mais), mas a isso juntou-se uma atuação excelentemente pensada e executada. Tenho bastantes certezas que a única razão pela qual não ganhou foi porque já haviam ganho há dois anos com uma música medíocre (ninguém os mandou puxar os cordelinhos à bolsa nesse ano). A Moldávia também conseguiu uma atuação bastante boa (se bem que se notava o nervosismo de Aliona na grande final). O Reino Unido (cuja música eu gosto muito) não me convenceu: Bonnie Tyler não conseguiu cantar ao vivo. A cantora francesa é sem dúvida um animal de palco mas, como eu já tinha dito várias vezes, a música não convence no mundo eurovisivo. Adorei o flop alemão: a musica era do mais visto possível e não tinha nada que a fizesse sobressair. Gostava muito da música da Geórgia, no entanto foi uma desilusão ao vivo: gritos a mais.


      Termino por falar naquela que para mim foi a melhor atuação: a Itália. Se aquilo que Marco Mengoni fez em Malmö não se pode chamar perfeição, então não sei onde empregar essa palavra. Voz perfeita  música perfeita e uma atuação simplista e intimista tal como pede “L’essenziale”. Ficou mais uma vez comprovado que qualidade não é sinónimo de vencer a Eurovisão (neste caso foi sinónimo de um mero sétimo lugar que, na minha opinião, devia ter sido mais). Talvez faltasse uma chuva de fogo ou uns confetis pelo ar, mas fazer aquilo que o italiano fez é bem mais difícil, uma vez que tinha todos os olhares concentrados apenas em si e todos os ouvidos na sua belíssima voz. 

Vídeos: Youtube
22/05/2013

1 comentário:

  1. Petra Mede esteve perfeita. Ela sozinha humilhou os 3 apresentadores do ano passado. O único modelito que foi reles foi o da 2ª semifinal, mas acho que isso não interessa. E as intervenções da Madame Lynda foram muito boas. Achas que gozaram com o Chipre e com a Bonnie? No dia em que o Reino Unido voltar a ganhar é que vais ver o que é enxovalhar sem o menor pudor. Os interval acts também foram bonitos, não concordo nada quando diz que foram fracas. A actuação da Itália passou-me completamente ao lado. Não achei a musica nada interessante.

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