A Caminho de Copenhaga: Parte 2


A CAMINHO DE COPENHAGA: PARTE 2
Crónica sobre possíveis representantes portugueses 


THE GIFT

       Os The Gift são uma das bandas veteranas em Portugal e com certeza uma das que mais se consegue distinguir. É impossível ouvir na rádio, por exemplo, uma música da banda e não a associar de imediato à mesma. Isto deve-se, sobretudo, à voz da vocalista, Sónia Tavares, que possui um timbre grave raro numa mulher e um talento enorme para o passar cá para fora. Não digo que a ela seja a banda, mas ela é grande parte, sem dúvida, porque é ela que imprime o carácter inconfundível. Mais vos digo: assisti a um espectáculo da Sónia num país onde não percebem português, nem sequer inglês, e eu vi centenas, largas centenas de pessoas, a caírem aos pés desta artista. Com esta vocalista e com o registo musical mais característico da banda, que tantas vezes roça um lado mais electrónico, os The Gift tinham na mão instrumentos para mostrar um outro tipo de qualidade no palco eurovisivo. Podiam ser injustamente votados, podiam ficar mal qualificados, mas tenho a certeza que marcariam aquele palco.



OS AZEITONAS

        Criados no norte do país, Os Azeitonas são uma banda com já muitos anos de música mas que andou sempre no anonimato até que um concorrente do "Ídolos" decidiu cantar uma música deles. E então foi a explosão de sucesso. Esta é uma banda jovem, com um estilo musical leve, que não prima por grandes vozes ou melodias espectaculares. Não, Os Azeitonas primam pela diversão. Em cima de um palco, eles mandam, eles comandam e mesmo sem querer toda a gente acaba por entrar no bom clima que eles emanam. Ora, há quem reclame que as músicas portuguesas são chatas, há quem reclame que não devemos cantar em português porque ninguém percebe. Querem melhor solução? Em português ou inglês, esta banda levava frescura para cima daquele palco e tenho a certeza que faziam a festa sozinhos, ainda que mais ninguém a fizesse. 
    Claro que está longe de ser uma aposta ganha, como disse esta não é uma banda que tenha características inconfundíveis. Mas era uma imagem completamente diferente do nosso país que chegaria ao estrangeiro. E, quem sabe, com as suas letras fáceis que ficam no ouvido e com a sua boa disposição, Os Azeitonas não levariam os europeus a ver os aviões!



FILIPE PINTO

       Ora, este é um daqueles meninos saídos do "Ídolos" que moveu multidões enquanto cantava em cima de um palco. Quem não se lembra dele? Com um gostinho pelo rock e com uma voz grave e rouca, este rapaz deliciou os ouvidos de muita gente enquanto estava no programa e continuou a deliciar quem acompanhou o seu percurso. Actualmente o cantor percorreu um trilho mais calmo, com melodias mais suaves que decerto acabariam por não brilhar no festival. No entanto, há nele talento suficiente para arrasar com as pessoas que o assistirem. Ele é daquelas pessoas que quando sobe a um palco entra no seu mundo, canta e sente o que canta. As pessoas adoram isso, adoram sentir aquele arrepio na espinha, adoram saber que aquela música transmite sentimentos, mesmo que não a entendam. Com uma música que aproveitasse o melhor da sua voz, ele conquistaria facilmente o público. Por isso, venha o rock, venha uma melodia interessante e venha um Filipe Pinto a segurar naquele microfone e a extravasar tudo o que a música faz sentir. Porque, seja de que maneira for, a música é uma língua universal, e quando bem transmitida, todos a entendem.



FF

      Sim, eu sou da geração "Morangos com Açúcar" e ouvi músicas de todos os cantores e pseudo-cantores que de lá saíram. Mas quando surgiu o FF, ainda eu não percebia o que era música a sério, eu sabia que ele tinha um talento diferente de todos os outros. Felizmente, com o passar dos anos, ele provou-me que eu tinha razão. No entanto, e infelizmente, ele tornou-se num dos talentos mais mal aproveitados em Portugal. De todas as vozes existentes no nosso país, esta é, sem dúvida, a mais inacreditável. A voz de FF já não é particularmente grave, mas é impressionante que ele consiga fazer agudos que eu não consigo. Ele tem uma enorme extensão vocal, consegue fazer qualquer coisa com a voz e faz sempre bem! Qualquer música que lhe dessem para a mão, não havia maneira de ele falhar. Uma música que potenciasse as coisas abismais que ele faz com aquela voz e a Europa obrigar-se-ia a sentar-se, porque ficaria estarrecida. Mesmo no seu registo musical, que corre o risco de não chamar a atenção, ele teria a capacidade de colocar os focos sobre si e brilhar, não tenho dúvidas. Para além disso, via o Festival da Eurovisão como a grande oportunidade que ele merece de pôr o seu trabalho lá fora, por forma a receber o valor que lhe é devido. 

Imagens: Google
17/12/2013

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