A Caminho de Copenhaga: parte 5



A CAMINHO DE COPENHAGA: PARTE 5
Crónica sobre possíveis representantes portugueses


ANA MALHOA

     Eu faço parte daquele grupo de fãs que gostaria realmente de ver Ana Malhoa no palco da Eurovisão. Confesso, contudo, que não sei como ela seria recebida pelo público europeu e, principalmente, pelo júri, que tende a preferir canções mais comerciais e radio-friendly. O que sei é que Ana Malhoa não deixa ninguém indiferente. Quem nunca bateu o pé ao som de uma das suas músicas? Quem nunca ficou colado a ver uma das suas atuações na televisão, fosse pela roupa, fosse pela coreografia, fosse pelos seus atributos físicos?
      O seu último hit, "Sube la Temperatura", tem tudo aquilo que eu acho que resultaria no certame: alegria, ritmo, força, calor. Com uma canção deste género, mostraríamos à Europa que a nossa música não se faz só de acordeões e guitarras portuguesas; a música portuguesa também tem ritmos latinos, aquilo a que muitos chamam, incompreensivelmente, pimba. O que é ainda mais incompreensível é como muitas destas pessoas são as mesmas que abanam todo o esqueleto ao som das canções suecas ou gregas. 
       Mesmo que fracassasse, mesmo que ficasse aquém de outras propostas por nós enviadas, acho que Ana Malhoa seria uma boa opção. Uma lufada de ar fresco na monotonia das nossas representações. E bem que Copenhaga precisa de alguém que suba a temperatura!



KIKA

     Se calhar há gente que ainda desconhece a Kika. Não, ela não participou na "Operação Triunfo", nem foi uma das rejeitadas dos "Ídolos". É só uma menina cheia de talento e com uma grande maturidade musical. Ninguém diria que só tem 16 anos de idade. A forma como canta as músicas e o estilo das mesmas revela já uma personalidade artística muito vincada e uma maneira própria de estar na música. Impressionante.
     Além do talento, Kika possui quase de certeza uma estrela no céu. As suas canções foram ouvidas por RedOne (o homem por detrás de artistas como Lady Gaga, e também compositor da canção russa de 2011), que as produziu. Além disso, a voz da jovem entra-nos frequentemente em casa através da televisão, já que emprestou o seu talento para promoções da TMN e da EDP. Nas estações de rádio, não há hora em que não passem os seus temas.
   É uma artista em ascensão, com uma grande carreira pela frente. A sua voz de veludo seria certamente muito bem recebida na Europa e o estilo que habitualmente canta iria romper com o marasmo das nossas últimas entradas. A RTP bem podia apostar na juventude. Uma canção como a do vídeo acima, "Can't Feel Love Tonight", seria perfeita para representar Portugal. 




RITA GUERRA

    Não defendo que artistas que já participaram na Eurovisão voltem a concorrer, pelo menos em representação do mesmo país. Mas sou capaz de deixar essa minha posição de parte, porque o caso de Rita Guerra é diferente.
    Ela tem de se vingar daquele 22º lugar de 2003. Depois da brilhante interpretação de "Deixa-me Sonhar (só mais uma vez)", em Riga, a cantora apenas recebeu 13 pontos. É incompreensível. Dez anos depois, ainda me impressiono com a prestação de Rita, e, na mesma medida, ainda me questiono sobre o porquê de tão baixa classificação.
    Ela tem uma voz lindíssima e envolvente, canta com alma e coração, é muito bonita e tem uma postura super elegante em palco. A canção que levou ao Festival era uma típica balada eurovisiva, com tudo no sítio e até com metade da letra em inglês.
   Posto isto, e sabendo que Rita é uma das cantoras mais apreciadas no país e que, ainda por cima, não descarta um regresso à Eurovisão, sentir-me-ia bastante orgulhoso caso fosse ela a escolha da RTP. Se tivermos de levar uma balada a Copenhaga, que seja defendida por esta artista. Porque ela tem meios para conquistar a nossa melhor classificação de sempre.



NELLY FURTADO

    Esta é, claramente, a minha escolha mais inusitada. Sei que você já está a dizer "podes esperar sentado" ou "sonha à vontade!", e, de certa forma, eu partilho dessa mesma descrença. Nelly Furtado na Eurovisão? À partida, seria preciso que ela estivesse mesmo no fundo da sua carreira e que a RTP tivesse uma boa quantidade de dinheiro na sua conta.
   Contudo, eu acho que Nelly até ponderaria uma participação na Eurovisão mediante algumas condições. Como é óbvio, teria de ser uma escolha interna. Além disso, o processo de convencimento não poderia começar em dezembro ou mesmo mais tarde, como habitualmente acontece nestas e noutras coisas em Portugal. Depois, e como todos sabemos que a RTP não é muito adepta de trabalhar afincadamente para o Festival, as responsabilidades relativamente à canção/apresentação/visual poderiam ser entregues à equipa da cantora. Em relação à língua, poderíamos ficar descansados, na medida em que Nelly é capaz de cantar quer em inglês, quer em português (no meio do canto ninguém repararia na má pronúncia). Uma canção bilingue, por um ano, que mal faria?
     Enfim: poderia ficar aqui mais tempo a dizer o que a nossa estação pública poderia fazer de forma a ter Nelly Furtado na Eurovisão. É preciso apenas tempo e paciência para negociar. E alguma visão, claro está.
     O último videoclip da cantora conseguiu apenas 661 mil visualizações no Youtube (foi lançado há nove meses). Por comparação, o vídeo que aqui coloquei de Ana Malhoa tem quase 550 mil. Nelly tem fama quase mundial, ao contrário de Ana. Não é que a carreira da luso-canadiana esteja a chegar ao fim; talvez seja antes a altura de Nelly se afastar da incursão pela música pop americana para voltar às origens. A Eurovisão poderia ser uma excelente oportunidade.

Imagens: Google
20/12/2013

1 comentário:

  1. Finalmente uma cronica onde concordo com todas as escolhas feitas, parabéns ;)
    Quem dera que qualquer uma delas fosse escolhido, se bem que neste momento enviaria a Kika por toda a maquina que tem agora por detrás dela era a mais valia.

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