Entrevista a... José Carlos Garcia



JOSÉ CARLOS GARCIA - PRESIDENTE DA OGAE PORTUGAL

Contente pela decisão da RTP em voltar ao Festival Eurovisão da Canção 2014, o presidente atual da OGAE Portugal afirma que o bom trabalho continuará a ser feito e que já estão a ser preparadas próximas iniciativas para levar o nome de Portugal além-fronteiras.

       José Carlos Garcia, de 37 anos, é professor de matemática do 3º ciclo e do secundário. A par disto, foi eleito como presidente da OGAE Portugal no dia 13 de julho de 2013.


Foi em 2013 que a RTP decidiu desistir do Festival Eurovisão da Canção por motivos económicos. No dia 7 de novembro, a emissora revelou que vai voltar ao certame. Concorda com esta decisão?

"Recebemos a notícia com muita satisfação. A OGAE Portugal já tinha manifestado várias vezes junto da RTP a nossa vontade de que Portugal voltasse a fazer parte do certame. Apesar de não existir um grande número de fãs inscritos na nossa Associação, sabemos que o Festival é do agrado de muitos milhares de portugueses. As audiências televisivas provam isso, principalmente as do dia da final do ESC, que são habitualmente muito boas e com um elevado share, como também a participação de bastante público nos eventos eurovisivos que realizamos. Aliás, quer as festas com música exclusiva da eurovisão quer o Eurovision Live Concert, têm atraído muita gente dos mais diversos quadrantes, o que demonstra o interesse, o gosto e o apreço que têm pelo evento."

O Festival já não é o que era? Que erros fatais predominam para haver uma estagnação do sucesso antigo? Terá a RTP de investir mais no Festival e na Eurovisão? O que deve ser feito de diferente?

"Nada se mantém igual, tudo evolui. Não creio que se possa falar de erros. A RTP ao longo dos anos experimentou vários modelos, quer ao nível do espetáculo em si quer na forma de seleção da música representante. Na nossa opinião, mais do que ganhar, o importante é que a participação portuguesa seja sempre uma participação com qualidade, que nos orgulhe. Existirão sempre opiniões e gostos divergentes, mas temos que respeitar a escolha final que foi feita e que nos representa como país e nação. O único aspeto que, eventualmente, se poderia alterar seria talvez uma maior aposta na divulgação interna do artista e da música que nos representa. Dessa forma, o público teria uma maior identificação com a escolha nacional e, com certeza, maiores índices de associação haveriam. O exemplo disso é, claramente, o fenómeno dos “Homens da Luta”, que pese embora o seu resultado no ESC, conseguiram mesmo assim um enorme reconhecimento público através da sua participação no Festival."

A seu ver, qual seria o melhor modelo de selecção: escolha interna ou festival da canção? E porquê? 

"Como já referi, isso é muito difícil de responder, pois a RTP já experimentou quase todos os tipos de seleção possíveis. Todos têm aspetos positivos e negativos. Neste momento, o Festival da Canção permite uma grande participação de cantores e compositores, relativamente desconhecidos do grande público, sendo uma forma democrática e global. Mas, também uma seleção interna poderia atrair um nome mais consagrado e conceituado do panorama musical português, no qual traria maior interesse e adesão do público na nossa representação do Festiva. Contudo, repito, os vários modelos possíveis já foram experimentados pela RTP."

Quanto às escolhas internas: que artista ou estilo musical acha que a RTP deveria escolher?

"É importante compreender o que se pretende com a participação no Festival. Se acreditamos que o Festival é uma oportunidade para difundir a nossa cultura e a nossa identidade perante milhões de espetadores, estamos convencidos que deveremos manter um formato que aposte na música em português. Por outro lado, se o Festival for uma montra do que melhor se faz em Portugal, aí, não excluindo a possibilidade de estilos mais tradicionais, poder-se-ia abrir a outros estilos, até mesmo cantar em outras línguas, não esquecendo o filão da lusofonia existente em várias partes do mundo. No entanto, julgamos que a ideia do Festival, junto do público, está muito associada ao nacionalismo e não acreditamos que fosse bem recebido pelo público português, por exemplo, uma participação que não fosse cantada em português."


Será que a Eurovision Live Concert ajudou a RTP a decidir-se nesta escolha final, sendo o evento eurovisivo mais importante em Portugal e com cada vez mais projecção, tanto a nível nacional como internacional?

"O Eurovision Live Concert é um grande momento eurovisivo em Portugal e estamos muito orgulhosos da projeção que tem tido. Apesar dos poucos anos de existência, esta festa já faz parte do calendário dos eventos eurovisivos, no espaço europeu, e atrai inúmeras pessoas até ao nosso país. Não temos informações que nos permitam concluir que a realização deste grande evento tenha contribuído para a decisão da RTP. Mas, o que é facto, no mesmo ano que Portugal não participou no ESC, o nosso país continuou a ser mencionado de forma positiva no meio eurovisivo ,graças à realização do evento Eurovision Live Concert."

Deve-se continuar a apostar na língua nativa, ou seguir a tendência dos outros países? Porquê?

"Essa é uma discussão permanente que todos os anos se trava. Já disse, na nossa opinião, não é a língua escolhida que constitui o mais importante, mas a apresentação de uma canção com qualidade, moderna e que nos seja motivo de orgulho da representação nacional. A boa música que se faz em Portugal não é somente cantada em português. Aliás, a maioria dos artistas portugueses com sucesso internacional preferem cantar em inglês. Por essa razão, julgo que não deixaríamos de estar a divulgar a música portuguesa se apresentássemos uma canção cantada em língua inglesa. Mas uma das belezas do Festival Eurovisão da Canção é a sua diversidade. Por isso, se todos optassem pela língua inglesa, grande parte do brilho e glamour do Festival se perderia."
Quais os ingredientes secretos para se fabricar uma música eurovisiva?

"Uma música moderna, inovadora e forte. Mas o Eurofestival é mais do que isso! Acima de tudo, é um programa de televisão. Por isso, todos os aspetos audiovisuais, postura em palco, relação com as câmaras, a escolha dos sons e instrumentos, das cores, da indumentária e dos demais efeitos coreográficos têm que ser tidos em conta. Para além disso, a promoção, publicidade, propaganda, marketing são fundamentais."

Acredita numa vitória portuguesa na Eurovisão? Porquê? 

"Não há razão nenhuma para não acreditarmos numa vitória na Eurovisão. Portugal tem excelentes cantores, ótimos compositores e produtores. Já por diversas vezes Portugal apresentou canções dignas de vencer o Festival. Infelizmente, até ao momento, ainda não conseguiu. Mas, acreditamos que é algo que conseguiremos alcançar."


O que a OGAE Portugal pretende fazer para dar continuidade ao bom trabalho que tem feito e para que a RTP volte também a investir em força nesta competição musical?

"A OGAE Portugal pretende continuar o seu trabalho na divulgação e promoção dos Festivais RTP da Canção e Eurovisão da Canção, bem como dos artistas participantes. Para o ano de 2014, a nossa aposta será em eventos mais íntimos, de proximidade entre artistas e fãs. Continuaremos a apoiar todas as iniciativas que se realizem em Portugal relacionadas com o Festival, com o é o caso do Eurovision Live Concert. Estamos a trabalhar com a RTP para que possam ser criadas condições para uma promoção mais visível do Festival. E, claro, vamos apresentar projetos a várias entidades de colaboração para que possamos chegar a um público mais alargado. Para além das atividades em Portugal, estamos a estabelecer contatos para que possamos promover os nossos artistas nos vários eventos internacionais eurovisivos que se realizam por toda a Europa.
Devemos lembrar que a OGAE Portugal não é uma empresa de criação ou promoção de eventos. Somos uma Associação de fãs e, portanto, o nosso trabalho também depende da vontade dos associados e da quantidade dos mesmos."

Quer desejar uma mensagem aos fãs eurovisivos e aos leitores do blogue?

"O fenómeno eurovisivo é algo aliciante e estimulante, que desperta muito interessante, pois consegue captar a verdadeira essência da Europa: unidade na diversidade. É com muito agrado que vemos manterem-se tantas iniciativas em torno da Eurovisão, como vocês são um bom exemplo.
O regresso da RTP à Eurovisão deve ser vista como uma oportunidade. O nosso desejo é que, apesar das nossas diferenças, dos nossos gostos, das nossas ideias, possamos todos estar sempre unidos na promoção da participação portuguesa no próximo ESC."

Imagens: Google/Vídeos: Youtube
13/12/2013

3 comentários:

  1. O Eurovision Live concert não é organizado pela OGAE, por isso nem devia falar nisso

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  2. "Na nossa opinião, mais do que ganhar, o importante é que a participação portuguesa seja sempre uma participação com qualidade"

    pensar assim é tipicamente português. por isso não saímos da cepa torta

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  3. "O que a OGAE Portugal pretende fazer para dar continuidade ao bom trabalho que tem feito ..."

    Sorry, mas que bom trabalho??!! De quem e para quem?? Então se Portugal NUNCA ganhou, se a OGAE tem pouquíssimos membros, se até o Eurovision Live Concert não é por eles organizado (foi criada outra associação para organizar esse evento)....

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