ESC 2014: crónica sobre a final da Eurovisão - por José Pinto


  Já acabou? São tantas semanas de ânsia à espera deste fantástico certame, estamos sempre à espera de que sejam apresentadas as músicas dos países, de ver todas as interpretações, polémicas, ensaios (...) e em apenas umas horas toda a magia acontece.
  Sinceramente, este ano não estava com grandes expectativas, não considerava que as músicas tivessem a mesma qualidade que a dos anos anteriores, a Eurovisão está cada vez mais a tornar-se num espelho da política europeia, e por muito que eu gosto de geopolítica, não devia ser uma matéria com grande peso em concursos deste tipo.
  Mas apesar de tudo, não é que fiquei boquiaberto com todo o espectáculo! Na realidade, em termos de interpretação e apresentação das músicas, esta foi uma das melhor edições dos últimos tempos. A maior parte das músicas apresentou uma grande evolução, e percebeu-se a garra que os intérpretes tinham em palco, e isso tudo aliado à excelente organização e principalmente ao magnífico palco (sim, o melhor dos últimos anos!) e aos originais backgrounds que nos foram apresentados.


  Quanto às prestações das semi-finais ocorreram algumas injustiças, principalmente a não passagem da Bélgica e da Israel. Quanto à não passagem da música do Alex Hirsxou, infelizmente não fiquei surpreendido, apesar da qualidade vocal do intérprete esta música era demasiado "boa" para o Festival Eurovisão da Canção.
  Agora no que toca a não qualificação da Israel, as coisas já são bem diferentes! Same Heart  era a minha música favorita de toda a edição, aquela que eu ansiava que conquistasse a Europa. A voz de Mei é irrepreensível, e com um timbre peculiar, arrisco-me mesmo a dizer que era a melhor voz de todo o certame este ano. Mas o que me chocou ainda mais, foi o penúltimo lugar na semi-final.   Muitos vão dizer que a Europa à primeira audição considerou a música agressiva, que a voz da Mei não esteve nas melhores condições (...) Mas estes não foram os verdadeiros motivos, tal como nos ano transactos, a não passagem da Israel deveu-se à sua posição geográfica e à política que envolve toda a Eurovisão. É dos países que geralmente envia propostas com melhor qualidade musical, mas como se localiza no Médio Oriente, sem "vizinhos", a religião predominante é a judaica...não há júri de país algum com necessidade fazer "favores"...sim, porque eu gostava de compreender onde é que o instrumental e a interpretação de países como a Polónia, Lituânia, Macedônia é superior à prestação da Israel. Bem a lavadeira e a senhora que fazia manteiga apresentavam outros tipo de dotes.
  Uma coisa é certa, perdemos um excelente interpretação na final, com uma música radio friendly, com garra e com a sua língua materna presente, metáforas sobre a emancipação da mulher e todos os outros elogios que já tecei. Em relação à prestação israelita, ainda a realçar alguns defeitos técnicos, os planos de imagem foram penosos! Uma boa parte da coreografia e o do background no auge da música não foram captados devidamente, aconselho a visualização do ensaio para compreenderem melhor a situação.


  E está na hora de escrever acerca da prestação portuguesa! E não é que apesar do instrumental à "Portugal em Festa" eu fiquei agradado com a prestação portuguesa. A Suzy esforçou-se bastante e realmente transformou o "Quero Ser Tua" em algo com algum potencial para a Eurovisão. Na minha opinião, este ano no FC não considero que houvesse canções com qualidade para nos representar, portanto agora tenho que dizer que a Suzy foi mesmo a melhor escolha, Não ligando ao género de música que aprecio, tenho que dar o braço a torcer e afirmar que a intérprete portuguesa foi irrepreensível na actuação e em todo o processo "pré- Eurovisão". Os fãs ficaram contagiados, cantaram e dançaram ao som da música portuguesa, não foi à toa que ficamos em 6º lugar no televoto. Como tal, também considero que a não passagem de Portugal à final foi injusto, esta música deveria ter passado em detrimento de outras, como por exemplo a da Islândia.


  Na final, os apresentados sentiram-se mais à vontade e as apresentações das músicas foram ainda melhores. De salientar que foi muito interessante a entrada dos vários intérpretes logo no início.
   Em relação aos resultados, com muita tristeza minha, a Itália e o Reino Unido foram os flop do ano, na minha opinião, eram duas das melhores canções de toda a edição, mas se a Emma nos apresentou uma interpretação aquém das expectativas, o mesmo já não aconteceu com a Molly.   Fiquei também desiludido com o resultado da Alemanha, era das minhas músicas favoritas e das que foi mais menosprezadas este ano, o ódio à Merkel também provocou um mau resultado no televoto ao país germânico. 


  E se no meio de tantos votos previsíveis, não é que a maior surpresa de todas veio por parte da votação de Portugal?! O facto do nosso país não ter atribuído qualquer pontuação à Espanha foi um dos assuntos mais marcantes do certame este ano.
Em relação ao vencedor, Rise Like a Phoenix como já devem ter reparado não era a minha música favorita, mas sem qualquer margem de dúvidas que Conchita Wurst foi a justa vencedora da noite, a intérprete austríaca foi completamente soberba com um instrumental de extrema qualidade, e o mais importante foi o grito de libertação na Europa.
  

  Foi também a vitória mais mediática dos últimos tempos, sendo que todo o ênfase que os media estão a dar à vencedora está a ser publicidade gratuita para a Eurovisão!
  Contudo, muitos afirmam que a vitória não passou de uma jogada política...que se a Conchita não ganhasse, a Europa iria ficar conhecida como preconceituosa, que foi uma vitória com o intuito de derrotar Putin (...) se a figura de Conchita teve influência, claro que teve! Mas não foi isso que lhe deu a vitória, isso foi alcançado devido a magnífica voz e qualidade de interpretação da cantora e o esforço que esta apresentou.
  Apesar da vitória de uma drag queen e de vivermos no século XXI, infelizmente ainda existe muito preconceito, até mesmo no nosso país há muita aversão à Conchita. 
  Uma coisa é certa, foi uma Eurovisão rica! Houve polémica, esperanças, surpresas, qualidade musical, e o melhor de tudo, não saber quem era o vencedor até ao momento do anúncio dos votos, a luta entre os vários países foi o melhor de tudo. Tivemos um bom top 3, com uma agradável surpresa da Holanda e já esperada sobriedade e a qualidade por parte da Suécia.
  E só tenho uma coisa a dizer, que volte depressa a Eurovisão!


16-05-2014
Vídeo: Youtube/Imagem: Google

   

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