ESC 2014: Crónica sobre a final da Eurovisão - por Miguel Rodrigues



"O Festival Eurovisão da Canção é um projeto baseado na tolerância, aceitação e amor"

Oh não! Outra vez? Mas ainda agora começaste, porque é que já tens que acabar? É verdade chegou ao fim mais uma edição do festival dos festivais, um ano com um misto de emoções, desde a alegria à tristeza, da euforia ao nervosismo, da raiva à ternura. Aliás este misto de emoções sentem-se talvez em todas as edições, mas nesta sentiu-se muito mais. Não só por termos de volta à competição o nosso país, mas por ser mais um ano, e a cada ano que passa acho que a emoção ao ver o festival cresce mais.

Primeiro que tudo, tenho que começar por condenar um dos apresentadores do concurso, eu sei que não foi de propósito e que se calhar não interferiu na votação do público, visto que ficámos em 6º, mas erros graves como Pilou Asbaek cometeu, podem interferir no resultado final. Estou a falar da apresentação da nossa canção em que este apresentador, que já referi, apresentou mal o número da canção. De resto o trabalho dos apresentadores, foi correto, competente e sem mais erros. Em comparação a outros de anos anteriores, estão a um nível mediano, em termos de qualidade, mas não se pode pedir que numa edição seja tudo “do melhor que há”.



Creio, que vou dizer isto durante as próximas 10 edições, mas este foi sem dúvida o melhor palco do ESC, desde a maneira como foi pensado, à maneira como foi usado e transmitido na televisão.Não houve uma única falha. Tem o tamanho necessário, não tem apenas um quadro gigante de led’s e o diamante com água à volta mostra toda a criatividade conceptual que nele existe.

E os postcards? Também não foram dos mais giros nos últimos tempos? Cá para mim foi uma ideia do “caraças”, e via eu a semifinal com a minha família e o que diziam eles no fim de cada canção? Diziam com uma enorme vontade: “Ai e agora, como é que vão fazer esta bandeira?”  Estavam bastante emocionados a ver o festival, com já não os via há alguns anos. E como não podia de deixar de ser, talvez fosse o orgulho a falar mais alto, o de Portugal estava muito bom, para mim o melhor e o mais original. 



Depois de comentar todas as vertentes técnicas desta edição, o meu comentário tem que ir sem dúvida, para a maneira como foi organizada toda esta edição. Só houve três falhas que não deviam ter acontecido, aquela que já comentei e também o facto de terem mostrado a recap três vezes na segunda semifinal. Podiam ter optado por falar com todos os participantes na greenroom, ou talvez outra coisa que os fizesse improvisar de um momento tão incomodo, para quem via o programa no seu sofá. O último foi o facto de terem parado o espetáculo no intervalo da música 23 para a 24, depois mesmo de já ter sido mostrado o postcard. O palco podia não estar totalmente constituído, mas para que servem os ensaios, então?

Em relação às músicas da edição, tenho que começar por referir a minha preferida da edição, e que mesmo pelo que todos dizem, não deixa de o ser. É a Itália, e sim, pode não ter sido a melhor atuação da noite, mas não concordo quando dizem que foi má, horrível e desesperante. A Emma não teve uma grande capacidade vocal, isso é certo, mas não se pode dizer que foi uma má atuação, apenas não sobressaiu em relação às outras, daí o seu mísero e injusto 21º lugar.



Não podia fazer esta crónica sem referir que pela primeira vez, desde que vejo a Eurovisão, Portugal não dá pontos a Espanha, logo numa das que mais gostei. Eu pensava que os 12 pontos estavam certos, já que a música não é má e depois da atuação que teve, foi das que mais sobressaiu. Mas pronto, até acho que pelos comentários que os Espanhóis estão a fazer mereciam que durante algumas edições Portugal os boicotasse da votação. Apesar de todos estes dramas, Ruth Lorenzo esteve bem e merecia pelo menos qualquer coisa. No fim de todo este drama Ibérico, pela primeira vez, Portugal deu as três maiores pontuações ao top 3. 



Em relação aos países que mais me surpreenderam durante esta jornada, foram sem dúvida a vencedora Áustria, que nos trouxe a razão de sermos uma Europa.  A pequena Holanda, que foi a música sensação deste ano e o que é certo é que cada vez gosto mais dela e só de pensar, que quando saiu, dizia que era um tema certo para ficar na semifinal. Contudo, não acho que seja um tema para 2º lugar, mas também não me chateia. Muito bem trabalhado Holanda, a ver se continuam assim durante alguns anos! A ucraniana, Mariya Yaremchuk, foi para mim uma das melhores artistas em palco, nesta edição. Não pela sua beleza, mas pela maneira como tratou dum tema, que ao inicio eu não achava nada de especial, tornado num tema bastante convincente e merecedor do lugar que obteve. É certo que a atuação, ajudou nisso, mas é de salientar, que não foi só a atuação que o tornou num tema eficaz. 



Os temas e atuações que não podiam faltar na minha crónica, são sem dúvida, o da Finlândia, que me surpreendeu com o lugar que obteve, achava que na final ia ser um fracasso total, e que ia ser bottom 5,  quase no fim da tabela. Mas ainda bem que não foi, pois estava no grupo das melhores músicas da edição. A Arménia e o Aram Mp3 tiveram dos melhores palcos da edição que valorizou muito na hora da votação e também na hora da atuação. Esperava um top 10 mas não um top 5, pois não sabia se a Europa ia realmente apegar-se a este tema, da maneira que os fãs se apegaram.  A Hungria foi um país com altos e baixos no meu top, durante o pré-ESC, mas penso que no fim segurou  o lugar que merecia, e por isso concordo com a posição que a Europa lhes ofereceu.  Por último a Noruega, que nos trouxe a música mais intimista e tocante da edição. Foi das melhores em palco e não percebi a pontuação de Portugal, achava que ia ser muito mais valorizada. 



Os flops da edição eu vejo mais como injustiças, porque todos aqueles que foram um flop mereciam uma melhor posição. Em relação à maior injustiça da edição, o prémio vai para o Israel. Não percebo porque a Europa não votou neste tema, tinha tudo o que era necessário para brilhar, uma boa atuação, uma boa artista, boa dinâmica em palco, para não falar da coreografia, que estava bastante bem enquadrada. Tenho uma pena enorme deste país não ter passado à final. Outra injustiça foi de Portugal, eu nem sequer gostava do tema e acho que merecíamos sem dúvida ter um lugar na final, pela atuação e diversidade do tema em relação aos outros todos. Fiquei orgulhoso de ser o meu país, não pela música, porque continuo a não dar grande valor, mas pela atuação em si. Pela primeira vez vejo uma atuação bem construída, estudada, enquadrada e constituída. Só para não dizer que Suzy, apesar de tudo, fez tudo bem, só faltou mesmo um ponto. O outro país, que no meu entender merecia muito mais do que aquilo que obteve, foi o Montenegro a música era linda, só para não falar da força que o instrumental e a própria atuação tiveram. Mas este país está bastante sozinho no meio de tanta Europa que talvez tenha sido por isso. Espero que continuem a trazer música boa, como fizeram este ano, porque como se viu, todos os países conseguem passar à final. Têm é que trabalhar para isso!



Depois dos flops tenho que colocar aqui temas que nesta edição foram sobrevalorizados, alguns até demasiado. Começo pela Polónia, não sei se foi pelos trajes em que atuaram, ou se foi pela própria música que a Europa votou neste país. Mas se foi pela segunda, deixem-me dizer que estou bastante desiludido, a música é feia e sinceramente não mostra nada de novo. É triste este tema conseguir passar à final, ainda ser top 5 e deixar o tema como o de Israel na semifinal em penúltimo lugar.  A sueca, Sanna Nielsen, faz também parte deste grupo de países sobrevalorizados, isto porque “Undo” não traz nada de novo ao panorma musical que a Eurovisão é, e deixem-me que vos diga, acho que Sanna tanto na semifinal como na final não esteve bem e merecia mais um 10º lugar do que um 3º lugar. A Rússia por mim entra todos os anos nesta categoria, ah espera... eles querem sair do concurso (finalmente!). As irmãs Tomalchevy, tinham um tema bastante fraco, com uma atuação bastante simples e inovadora. Não merecem o 7º lugar que obtiveram, “nem aqui, nem na china” o tema não é mercedor de um lugar tão bom, para a música que este país levou, ficando à frente de inúmeros países, que mereciam, de longe ficar à sua frente.

Por fim, e muito mais importante do que já escrevi ao longo desta crónica, ganhou a única vencedora possível. Conchita Wurst, trouxe à Europa o slogan que demonstra à Russia e aos seus “criados”, de que somos todos iguais, somos todos humanos, ninguém é menos do que ninguém. Um homossexual é um humano. Um bissexual é um humano. Um heterossexual é um humano. Na noite de 10 de Maio, não ganhou só Conchita Wurst. Ganhou o mundo!
Não sei se a Áustria, foi a vencedora pela música que levou, mas sei que foi a vencedora, porque tinha de ser. Apesar de tudo, foi durante a semifinal que todos nós percebemos que ia ser a grande vencedora da edição, já estava escrito! Pode não ser a minha preferida, e nem se quer estar perto de o ser. Mas a partir do momento em que a Europa faz dela a vencedora, isto quer dizer que há tolerância e acima de tudo, como já o disse, que somos todos iguais. 



PARABÉNS CONCHITA, PARABÉNS ÁUSTRIA E PARABÉNS EUROPA!

Vai apanhar laranjas Rússia!

19/05/2014

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