ESC2014: Comentários ao quarto dia de ensaios


      Após um dia de descanso, estão  de volta os ensaios para o festival. Hoje voltam a ensaiar os países da 1ª semifinal, sendo que desta vez foram disponibilizados vídeos da canção no seu todo. Os países comentados são: Arménia, Letónia, Estónia, Suécia, Islândia, Albânia, Rússia, Azerbaijão, Ucrânia, Bélgica, Moldávia, São Marino, Portugal, Holanda, Montenegro e Hungria.


 

      Esta atuação está super bem conseguida e "grita" vencedor por todos os lados, cada vez mais. O que achei mais interessante aqui foi a passagem de um palco em tons de azul nas partes iniciais e, portanto, mais calmas, para um palco com mais "agitação" em tons de vermelho quando se dá a keychange da canção. A voz do Aram, a meu ver, é irrepreensível. Competente ao longo de toda a canção. Pessoalmente, acho a mudança para um tom mais rouco fantástica. Em suma, a demonstração exata de como uma atuação simples pode ser marcante e poderosa. A roupa é giríssima e enquadra-se na perfeição ao tema e a todo o jogo de luzes. Apenas tenho a apontar as "caretas" que ele faz, por veres parecem-me um pouco overacting. Teremos a Eurovisão na Arménia em 2015?


 

      Devo confessar que me custou um pouco ter de ver este ensaio até ao fim. No início, eles juntam-se todos, o que dá um ar de amizade, de serenidade e outros que-tais. Depois disso, nada acontece, não há bolos (ooooh), eles estão estáticos (lá para fim fazem uma tentativa falhada de se movimentarem para lá e para cá) a cantar uma canção aborrecida. A temática parece ser um concerto feito para uns amigos num churrasco no quintal - aliás, é o que a tela de fundo transmite.  Penso que a música pouco tem a ver com o que criaram em palco... Se a melodia ainda fosse alguma coisa de jeito, era de lamentar. Neste caso, não tem problema. Isto não tem qualquer hipótese, esperemos. 



       Não gosto desta canção nem um bocadinho, pois continuo a achar que é uma cópia barata da Loreen. No entanto, neste festival, é das que mais me deixa com a boca aberta. Tanja dança, salta, rebola, e ainda consegue cantar com poucas ou até mesmo nenhumas falhas. Não gosto que ela esteja ali de calção/cueca, podiam ter caprichado mais nesse ponto. Contudo, as roupas são mais adequadas do que aquelas utilizadas na seleção nacional. O fundo é bem aborrecido, mas parece-me que o jogo de "flashes" dará conta do recado. A passagem ou não da Estónia à final vai depender e muito dos planos de câmara, que tanto podem favorecer como estragar toda a performance



      Uau! O vestido da Sanna surpreendeu-me um pouco, não estava à espera de algo assim - foi emprestado pela Suzy? Surpreendeu pela positiva, adequa-se na perfeição à atuação. Esta performance é mágica. Ainda que pouco tenha sido acrescentado desde o Melodifestivalen, não há como negar que o fundo "estrelado" e a "jaula" feita por holofotes, que, posteriormente, se abre para o público, funcionam muito, muito bem. A voz que ouvimos neste ensaio não nos surpreendeu sendo que todos sabemos a excelente profissional que a Sanna é, com uma das melhores vozes da edição. Merece sem dúvida ficar no topo da tabela da final. Uma diva!


      Regressando ao aborrecimento temos a Islândia. O significado da canção é percetível e respeitável, mas não sei até que ponto é que as pessoas vão levar a sério a mensagem quando em palco está um bando de palhacinhos multicolores como se estivessem a cantar para as criancinhas. Isto, em mim, não pegou, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Não ficava muito admirada se fosse o dark horse do ano, e isto vai destacar-se face à Letónia, que é a música mais parecida a esta nesta semifinal. Penso que será uma lufada de ar fresco depois da canção forte da Suécia, e, durante a atuação da Albânia, o público ainda se estará a lembrar dos malucos das cores.


 

      Ai, Albânia, por onde começar... Nada de interliga neste palco. Os vestidos (claros, leves) não têm nada a ver com o fundo escolhido (escuro, sombrio), a não ser o facto de serem ambos feios. Não entendo o que é aquele "estrado", que dá um ar de arquitetura moderna quando o resto não tem nada a ver. Na minha opinião isto está confuso e muito mal pensado. Adoro imenso a voz da Hersi, e até acho a música bonita, com umas boas mudanças, mas se a Albânia já tinha poucas hipóteses, parece que esta escolha de atuação só as deita a perder com esta atuação que é facilmente esquecível. 


      O primeiro ensaio da Rússia despertou-me alguma curiosidade, não só por termos o Rui Andrade em palco, mas principalmente devido àquela artimanha que não consegui perceber muito bem. Ao ver o segundo ensaio, confesso que estou de boca aberta. Não estava nada à espera daquilo que foi criado para a performance russa. Os cabelos (tenebrosos) juntos, tal irmãs siamesas, os bastões, o "balancinho" que depois se torna numa coisa estranha que não entendo (dizem que é um sol), que, pelo que parece, dá destaque ao Rui... Penso que de uma música má, a Rússia conseguiu fazer um excelente trabalho. E ainda que tivéssemos pensado que os vocais iam ser maus, as irmãs Tolmachevy surpreenderam com uma performance sem falhas.

 

      Uma das favoritas do ano. A voz da Dilara é bastante competente, algo que não pareceu na atuação em Amesterdão,  mas que nos convenceu com este ensaio. Continuo a achar que a cantora é pouco carismática, sendo que não seduz muito a câmara, deixando-se ficar por algumas movimentações sustentadas pelos holofotes, que só na transmissão da próxima terça feira vamos compreender. O vestido, tanto o seu como o que a trapezista está a usar, são lindíssimos, como o Azerbaijão já nos vem a habituar ao longo dos últimos anos. O da Dilara pelo que parece dá-nos aquela sensação de fogo devido às luzes, algo um pouco cliché mas que resultou bem. Uma performance, não vencedora, mas a rondar o top5 muito facilmente.



       Até me espantaria se a Ucrânia não trouxesse uma grande atuação para a Eurovisão (como faz sempre...). Podem pôr os defeitos todos aos países do Leste, mas eles, na Eurovisão, não brincam em serviço! No entanto, não esperava uma atuação como esta para "Tick Tock" - o que me surpreendeu e que até me agradou. Mariya tem uma voz irrepreensível e adoro todo o seu movimento corporal, que parece bastante natural, e adoro a interação com o bailarino, ou lá o que ele seja, na pista dos "ratinhos". Inicialmente, tinha achado esta encenação estúpida, e continuo a achá-la, mas vai resultar imensamente bem em televisão. Acredito, fielmente, num top10, talvez mesmo top5, para a Ucrânia, este ano, mais uma vez!



       Quase nada foi mudado da atuação na final belga para o palco eurovisivo... Também não há muito a mexer nesta proposta, vejamos. Gosto do palco e do fundo lilás escuro, que torna todo o ambiente mais intimista. Nota-se que há uma grande concentração de atenção no cantor - e até mesmo a bailarina não faz falta na atuação. A voz de Axel é das melhores atuações em palco, e é sempre um gosto ouvi-lo - apesar de não ser apreciador da canção. Sinceramente, não acredito que a Bélgica consiga um lugar na final, mas o talento do cantor merecia esse feito. Mas a Eurovisão é  mais um concurso de cantigas, e não tanto de cantores.... 



       Uma atuação simples e já muito vista na Eurovisão: a intérprete no centro e os bailarinos a rodearem-na. Dou especial atenção ao cenário, que cria mais intensidade à atuação e à sobriedade do tema. Cristina tem uma voz fantástica e é bastante segura ao vivo, mostrando todas as emoções e toda a força que a música tenta transmitir através do instrumental. O efeito do cabelo, no final, não traz nada de especial e é apenas mais um pormenor numa encenação mediana. Não acredito, também, que a Moldávia consiga a passagem, desta vez. Mas há sempre surpresas...



       Admiro imenso o talento desta cantora, e a vontade de lutar numa competição que não lhe é favorável. Este ano não vai acontecer nada de diferente em relação aos últimos dois anos. Talvez chegue mesmo a dizer que a atuação de "Maybe" é a menos elaborada e a mais simplória, de todas as outras. Se virmos bem, apenas foi posta uma concha no palco, e Valentina não sai do mesmo sítio e apenas canta, canta, canta e canta (ah, e abana os braços!). Talvez a encenação fique bem em televisão, que acredito piamente que sim, mas não vai ser suficiente para a sua passagem. Valentina, um conselho: foca-te no jazz e esquece a Eurovisão para todo o sempre...



       Ai, Suzy, tu controla-me essa voz! Tirando os desafinanços graves (e que ficariam bastante mal em televisão), tudo o resto está bastante positivo! Há uma notória melhoria do Festival da Canção para a Eurovisão: a cantora está mais solta, interage com as câmaras, participa na coreografia, o cenário está muito bem trabalhado e não há um exagero de nada. Espero que o vestido que Suzy vá usar seja demasiado sensual e confortável, para lhe ajudar nos movimentos em palco e para lhe dar mais alguns votos na semifinal. O pormenor do vento, no final, foi muito bem pensado e cria mais intensidade ao tema, e a mudança de cenário nos últimos 10 segundos, com aquele jogo de luzes extraordinário, é completamente genial. Portugal já está na final, parabéns! 



       Ai, estou cada vez mais apaixonado por estes dois e por esta música que a Holanda nos oferece este ano. É tão intimista, é tão diferente de todas as outras, é tão simples mas tão uma obra-prima - é caso p'ra dizer: com pouco se faz muito! Adoro que eles fiquem parados, a olhar um para o outro, em palco, com um fundo bastante sombrio por detrás. Já estou a imaginar isto em televisão: eles parados e as câmaras a andarem à sua volta. E as vozes deles são tão perfeitas e agradáveis de se ouvirem, que só dá vontade de ficar a assistir a um concerto deles e esquecer todos os outros concorrentes. A Holanda já percebeu a estratégia e, este ano, vai estar, mais uma vez, na final, com uma grande música e dois excelentes artistas!



       Acredito que este seja o meu cenário favorito de 2014. Parece que estamos a entrar num outro mundo, tipo Pandora do Avatar, e que o cantor nos embala à descoberta do mesmo. A patinador fica bastante bem em todo o cenário, e os backsingers são competentes e seguros, e ajudam facilmente o cantor a desempenhar a sua tarefa - Sergej até que canta muitíssimo bem. A única coisa que sinto mesmo falta é de violinistas em palco, que dariam um outro aspecto e requinte a esta atuação. Não sei se é capaz de chegar à final, mas é das propostas com mais qualidade deste ano.



        Não foi alterada muita coisa da final húngara para o palco eurovisivo e, sinceramente, também não precisava de ser. András é seguro em palco, sabe transmitir as emoções e posicionar-se no momento certo à frente das câmaras. O início do piano é fantástico, tal como toda a coreografia que os bailarinos protagonizaram no resto da atuação. Um dos pontos de que mais gostei foi mesmo do cenário que, no início de cada refrão, parecia que explodia e mudava de cor, de uma maneira genial e impactante. O único senão a András é mesmo o controlo da respiração, que pode ser muito mais bem treinado. No entanto, espera-se, facilmente, a Hungria na final.

Melhor ensaio do diaArménia
Pior ensaio do dia: Letónia

02/05/2014
Vídeos: youtube

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