ESC2014: comentários à primeira semifinal



       Após quase um ano de espera, chegou finalmente a primeira gala eurovisiva de 2014. Uma vez mais, foi tudo pensado e organizado ao pormenor, e, para já, a Dinamarca mostra ser um país à altura para nos presentear com um grande espectáculo. A 1ª semifinal iniciou com a prestação de Emmelie de Forest, com a canção vencedora do ano passado, trazendo memórias do certame de Malmö. 
       Os apresentadores foram competentes no seu trabalho. Ainda que tenham sido poucos os momentos de descontracção, penso que nas próximas galas melhore ainda mais o à vontade na apresentação. 


       Adorei os post cards. Geralmente este é um momento dedicado à divulgação do país anfitrião. Este ano faltou um pouco o roteiro turístico de que estávamos habituados. No entanto, a ideia da construção da bandeira do país foi bem conseguida e muito original. Gostaria que tivessem aproveitado em mais países a relação cultural, como foi o caso da Holanda, em que a bandeira foi construída com um elemento típico do país: as tulipas.  
       Ainda não tinha tido oportunidade de me manifestar acerca do palco, que achei simplesmente soberbo! A forma de losango e a grande dimensão lembram-me Baku, que foi, para mim, uma das melhores recentes organizações do ESC. A construção do cenário também foi bem idealizada, dando um aspeto muito interessante às atuações, com as luzes e cores de fundo, do palco, das filmagens feitas do topo e água a rodear o palco. É, para mim, um dos palcos mais bonitos do certame. Os planos de câmera também foram bem conseguidos, e nesta gala, não notei falhas. 
       Quanto às atuações, penso que não iniciaram da melhor forma. Foram notórias, em quase todas as performances, o nervosismo e a ansiedade características deste primeiro espectáculo, tendo prejudicado os artistas ao nível vocal. Foi o que sucedeu logo com a primeira atuação: Aram tremeu a voz na fase inicial, mas depois com o surgir do dubstep, transformou-se numa atuação irrepreensível.
       Seguiu-se Letónia, que fez o que lhe competia em palco: foram animados e divertidos. E já se esperava que ficariam por ali. Estónia fez um bom trabalho. Tanja, de um modo geral, foi segura vocalmente, com toda a coreografia envolvida. Aqui teria apontado para uma passagem à final.

       Sanna, para mim, é uma das melhores vozes desta edição. A sua performance foi emotiva, e apesar de também ter sido notório o nervosismo, saiu-se lindamente e foi bastante aplaudida.  A Islândia foi a grande surpresa da noite, em relação à sua passagem à final. Não fizeram mais do que vi nos ensaios. É certo que foram animados, divertiram o público, mas não é uma canção que se destaque para estar novamente em palco no dia 10. 
       Hersi, da Albânia, também foi uma das melhores vozes. Muito segura e afinada, esteve melhor do que nos ensaios. No entanto, era previsível que a sua canção não tivesse força o suficiente para estar na final. A Rússia fez um bom espectáculo em palco, apesar de, em algumas partes da canção, a voz das gémeas ter ficado abafada pelo instrumental. Contudo, pela performance, foi uma passagem justa à final, e também previsível, por ser o país em questão. Foram lamentáveis as vaias vindas do público, no momento do anúncio da sua presença na final. Tinha-me esquecido durante toda a gala que a Eurovisão anda muito à volta das questões políticas. Aqui fui obrigada a relembrar-me disso.
       Azerbaijão também é uma presença garantida na final, apesar de não ter apreciado a atuação de Dilara. Não teve aquele efeito surpresa no qual o país costuma apostar.


A Ucrânia foi um dos países que melhorou bastante a sua performance em relação às primeiras versões da canção. Marija estava linda, muito confiante e fez um brilharete, juntamente com o bailarino que a acompanha. Axel, da Bélgica, estava emocionado. Não há dúvidas de que é um excelente cantor, mas houve alguns deslises vocais que atrapalharam a performance. No entanto, penso que merecia uma segunda oportunidade na final, pois a canção é lindíssima e transmite uma bela mensagem.
        Moldávia ficou aquém das espectativas. Não fiquei surpreendida com a sua retenção na semifinal, apesar de ser um país com bom histórico de resultados. São Marino foi mais uma surpresa. Valentina é veterana e sabia muito bem o que lhe esperava no palco eurovisivo. Apesar de se notar alguns trémulos, soube esconder os nervos. E à terceira foi de vez. Já teria sido justa a sua passagem à final no ano passado.


       Portugal esteve bem, e para os eurofãs portugueses, havia a esperança da passagem à final. Suzy, ao contrário do que temia, esteve segura. A restante equipa fez muito bem o seu trabalho em palco, e conseguiram transmitir uma canção ritmada, dançante e que anima o público. Tive pena. Parabéns á delegação portuguesa por todo o esforço, por todo o trabalho realizado. Gostei muito da prestação da Holanda. Nos ensaios parecia algo muito simples, mas funcionou muito bem, e também graças à competência dos intérpretes: souberam interagir na perfeição entre eles e com as cameras e cantaram lindamente. O cenário escuro, o inicio retratado na auto-estrada e a rotação durante a atuação deram outra vida ao tema. 


       Também me surpreendeu pela positiva a performance Montenegrina. Só duvidei da sua passagem à final por ser o país que é, pois pensei eu que, se este tema pertencesse à Sérvia, não haveria quaisquer dúvidas. Ainda bem que assim não foi, é sinal que se começa a dar valor às canções e não aos países. Uma atuação emotiva, que apesar de ter estado mais centrada na patinadora, terminou com o culminar da linda voz de Sergej e dos seus coros. 


       Por fim, a Hungria brindou-nos com uma das melhores prestações da noite: voz segura, coreografia espectacular e uma excelente presença em palco. 
       Com tudo isto, está visto que as surpresas eurovisivas não irão ficar por aqui. Assim, faz-nos ainda mais esperar ansiosamente por quinta-feira, para a segunda semifinal do espetáculo. Aproveitem, esta é uma das melhores semanas do ano para todos os eurofãs.

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