ESC2014: crónica sobre a final da Eurovisão - por Cláudio Poiares



       Antes de mais, quero agradecer a toda a equipa do Crónicas de Eurofestivais por esta oportunidade de escrever sobre aquilo que eu mais gosto: o Festival Eurovisão da Canção.
       Queria demonstrar o meu profundo apreço pela vitória da Conchita Wurst, que veio "arrumar a casa" e "pôr tudo na ordem". Meus senhores, chega de discriminação, chega do "se fizeres isto, acontece aquilo", ameaças e boicotes. O ESC foi, é e será um festival sem preconceito (aqui a música dos apelidados "Teletubbies" (leia-se Pöllaponk) aplica-se que nem uma luva(!)), e aparte de politiquices. Quem não gosta, tem a porta aberta e só faz falta quem cá está. Ela foi divina, ela é a reedição da Dana International, em 1998 quando ganhou em Birmingham. Ela foi recompensada pela coragem que teve e, há que admitir, a mulher tem os "tintins no sítio" (arre grande Conchita). Eu quando escrevi a minha crónica a avaliar os ensaios da segunda semifinal, disse que não me admiraria se a Conchita ganhasse (e não foi mesmo assim?).


     Depois, algumas das minhas expetativas saíram um pouco ao lado: os flops da Itália, Roménia e Reino Unido, este ultimo, apontava como vencedor (talvez porque me mudei para as terras de sua majestade neste ultimo verão, ou será que Molly quis imitar a Emmelie de Forest e saiu-lhe tudo ao lado e ninguém gostou de tamanha semelhança?) as desilusões de Israel, Bélgica e Irlanda (tamanhas expectativas para "Same Heart") ou pela primeira vez, o Azerbaijão tão em baixo (será que o elixir do sucesso azeri esgotou?).
       Mas também este festival foi rico em agradáveis surpresas: Holanda e os meus Lady Antebellum (digo The Common Linnets) estiveram tão bem que não ficava nada chateado se este duo ganhasse; Suécia, Arménia e Hungria a alcançarem excelentes posições (não me lembro de viver um festival sem vencedor definido e tão renhido), a Espanha, com Ruth Lorenzo, que apesar de continuar a achar que poderiam ter outra posição se tivessem escolhido a "Briquitta"(digo Brequette), igualou 2012 com Pastora Soler; ou ver a Suíça (bem que os meus colegas tinham razão), no seu melhor e ainda hoje tenho na memória a excelente prestação do Sebalter. Curaram-se feridas montenegrinas e sanmarinesas (e indiretamente sérvias), fazendo-se justiça aos "quase" de 2013.


     Quanto a Portugal... Temos de ser duros e reais: eu nunca fui fã. Bem pelo contrário. Era arqui-inimigo de "Quero ser última" (digo "Quero Ser Tua"). Mas, a Suzy não teve culpa de ser convidada por um compositor pimba. Este, deve achar que ficar em 11.º é o mesmo que ficar em 1.º duas vezes, visto que igualou o resultado de 2007 com a Sabrina. Eu imagino o desespero da mulher ao saber que não passou em detrimento de... Valentina Monetta, apesar desta ultima tentar por três vezes consecutivas ir à final. Desejo à Suzy as maiores felicidades do mundo, mas também a ter cuidado por onde se mete, pois este Emanuel não vai deixar saudades e no meu ponto de vista, poderá ter arruinado a carreira dela. Para terminar este tema: a Suzy foi buscar imaginação e forças aonde ela não tinha e defendeu uma música que é um lixo como que se de um hit mundial se tratasse. Bravo!


     Quanto ao futuro, alguns países têm de pensar seriamente se querem continuar na Eurovisão, trazendo mais qualidade, não pecando na mesma fórmula, não enviar lixo e acima de tudo: deixar que a música seja e continue a ser a nossa "arma de retaliação" contra aqueles que se julgam ser os donos da razão.
     Um grande bem haja e em 2015 a Áustria aguarda-me.

Imagens:Google
14/05/2014
Cláudio Poiares

1 comentário:

  1. Concordo com tudo. Israel está a ser claramente "avacalhado". Como é que uma música poderosa daquelas fica em penúltimo na semifinal? Já o ano passado não passou à final e também não entendi porquê. A Suzy esá parabéns porque se esforçou ao máximo para defender um canção muito reles. Também sejamos sinceros: do Festival RTP deste anos (e de outros anteriores) o que é que havia lá de fenomenal? Na minha humilde opinião, nada. Até podem dizer "ah! Se cantessemos em inglês tinhamos melhores classificações" mas se a canção não for grande coisa não há idioma algum que o salve.
    Quanto à pessoal da Rússia, Bielorrússia e outro pessoal que se diz defensor da moral e dos bons costumes: bem-vindo à Europa da tolerância, compreensão e não discrminatória. Não gostam? Porta da rua, serventia da casa! Além disso, ganhou uma canção , não uma causa porque o palco da Eurovisão é única e exclusivamente para a música.

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