[CRÓNICA]: 74.14 - As músicas dos últimos 40 anos


O Coliseu dos Recreios abriu portas para um espectáculo – 74.14 – que tinha como objectivo celebrar os grandes êxitos musicais dos últimos 40 anos – desde o 25 de abril até à atualidade. Tanto músicas estrangeiras como nacionais foram abordadas, como alguns dos acontecimentos principais de cada década.

       74.14, um conceito de Henrique Feist, contou com a produção da ARTFEIST e Buzico com a direção musical de Nuno Feist e com a interpretação de Henrique Feist, Lúcia Moniz, FF, Vanessa Silva, Rui Andrade e Suzy. Além disso ainda contou com 4 coristas e 4 bailarinos, com coreografias de Claire Feist e Marco Mercier. 
       Com cerca de duas horas e meia, o espetáculo reuniu mais de 100 canções e só esteve 3 dias em cena, 27 a 29 de junho. Em declarações ao Correio da Manhã, Henrique Feist descreveu o processo de escolha das músicas: “Foi muito difícil a escolha das músicas. São muitas e não há tempo para pôr tudo. Centrámo-nos naquelas que resultam melhor em espetáculo e em termos de encadeamento.”
       Os cortinados do palco do Coliseu abriram-se e no ecrã o noticiário do dia 25 de Abril de 1974, onde se comunicava o controlo total da rede emissora da RTP pelo Movimento das Forças Armadas. Foi o cartão-de-visita para o início do desfile de canções, numa primeira parte, percorrendo a década de 70. A relevância do Festival Eurovisão da Canção foi enaltecida, onde pudemos ouvir êxitos de personalidades icónicas do certame, como Paulo de Carvalho, Marie Myriam, ABBA e Brotherhood of Man. Numa perspetiva da música internacional, Village People, Bee Gees e Queen avivaram também a memória de todos os presentes.  
       Nos anos 80, um ano marcado por guerras, atentados e pelo empobrecer da música portuguesa com a morte de António Variações e Carlos Paião, retratou-se a aposta no rock português com canções como "Chico Fininho" e “Deixa-me Rir”, êxitos sobre o amor como "You Give Love a Bad Name" e “Sweet Dreams” mas também o soul de Tina Turner com a canção “Private Dancer” e música brasileira como a sempre atual “Lambada”. 
       Na passagem para os anos 90 foi feito um medley de grandes nomes da altura que continuaram a trabalhar ao longo da década seguinte, como os proclamados reis da pop, Madonna e Mickael Jackson.  
       Os anos 90 foram marcados neste espetáculo pela inclusão de várias músicas pop de boysbands e girlsbands como Backstreet Boys, Excesso, Spice Girls, Anjos e Santamaria. Numa década de emancipação feminina, no masculino continuou-se a cantar sobre o amor. Nesta parte, foram interpretados êxitos de André Sardet, Santos e Pecadores e Ornatos Violeta.  A música em italiano e em francês não foi esquecida, sendo que os intérpretes masculinos interpretaram “Strani Amori”, de Laura Pausini, e “Pour Que Tu M’aimes Encore”, de Céline Dion, pelas intérpretes femininas. As intérpretes da música pop tiveram, no fim desta década, uma grande influência entre miúdos e graúdos. Britney Spears, Christina Aguilera, Anastacia, Jennifer Lopez, Shakira e Mariah Carey foram algumas das personalidades cujos êxitos de lançamento não foram esquecidos. Mas foi com “Sonhos de Menino” de Tony Carreira, que a audiência cantou toda a letra em uníssono.
       A passagem para o novo século é retratada neste 74.14 como uma crescente ameaça à música em todo o mundo, com o avanço das tecnologias e com todas as canções à distância de um clique. 
       O hit de Michael Teló não passou despercebido, onde se viu o público a acompanhar a coreografia caraterística de “Ai Se Eu Te Pego”. De seguida cantaram-se músicas pop como “Feel” de Robbie Williams, “Single Ladies” de Beyoncé, “Don’t Cha”, das Pussycat Dolls, e “Grace Kelly”, de Mika. 
         Perto do fechar do espetáculo, cantaram-se as músicas que hoje passam nas rádios, de artistas como Miley Cyrus, One Direction, Lady Gaga, Sia, Rihanna, Pharrell Williams e Robin Thicke.
Apesar da linearidade de todo o espetáculo, foi com “E depois do adeus” que se fecharam os panos, num anfiteatro em pé que simplesmente não queria parar de aplaudir.
       O 74.14 deixou sorrisos nas caras de um público satisfeito, com o coração cheio de melodias que fizeram parte das vidas de todos: “O 74.14 só mostra que nós temos artistas, tão bons ou ainda melhores, do que aqueles que estão no topo do mundo. Isto é uma obra-de-arte!”, disse, euforicamente uma espectadora, Isabel Silva, de 44 anos.
       Cada espectador deve guardar o 74.14 com uma mensagem: a cultura existe se nós a deixarmos existir, valorizando tudo o que temos, pois a cultura é a nossa identidade: “(…) com a fase que o País atravessa, a cultura não deixa de ser a identidade do País, e é importante que uma instituição com a responsabilidade social da Santa Casa dê esse apoio aos artistas nacionais”, afirmou Ana Delgado, diretora de Comunicação da Santa Casa da Misericórdia, instituição patrocinadora do espetáculo.

Foto: Catarina Gouveia e Diogo Canudo

Imagem: SCML
01/07/2014
 

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