Eurofestival em Histórias - Quinto Texto



   Podíamos aqui relevar a vitória de Dana International pelo facto de esta ser a primeira transsexual a participar e chegar ao primeiro lugar do concurso. Podíamos relevar também o facto de a artista ser a primeira transsexual a participar e vencer o concurso por um país que tanta controvérsia gera em torno destas questões, como é o caso de Israel. Mas isto todos nós já sabemos. E a verdade, é que não é (só) por isso que a vitória de Dana é significativa na Eurovisão.
   Não podemos, indubitavelmente, deixar de apontar que foi muito por estes pontos que a Eurovisão se tornou um festival de todos – sem excepção. Aliás, pensamos mesmo que a vitória de Conchita Wurst, um homem que se apresenta em palco como uma mulher com barba, terá sido vista com muito menos estranheza  - pelo menos aos olhos dos fãs eurovisivos - devido, precisamente, ao facto de este festival não ser discriminatório. Devido ao facto de quem apoia e vê e vota, não ver isso como um ponto negativo.
   Analisando os factos, o que faz com que esta terceira – e a última vitória israelita, até hoje – se destaque, é a vitória  da primeira música Pop que inaugura, verdadeiramente, este estilo no festival.
   Se virmos bem, até “Diva” vencer, a Eurovisão estava povoada de baladas – uma cortesia irlandesa que provou ser a fórmula vencedora até este mesmo ano. A partir de 1998, vimos multiplicarem-se as canções mais ritmadas, que acabaram por vencer todos os anos, até ao Hard Rock finlandês de 2006. 
A partir deste ano, continuamos a ver baladas, Pop e até música electrónica como fórmula vencedora na Eurovisão. Este ano, curiosamente, ganhou a travesti Conchita. E ganhou com classe – como Dana.
   Como é costume todos os anos, o campeão da edição anterior do Festival Eurovisão da Canção tem por hábito entregar o troféu ao intérprete que saiu vitorioso no ano seguinte.
   Em 1999, a Suécia sagrou-se vencedora pela quarta vez com a música schlagger “Take me to your heaven” de Charlotte Nielsen (Perelli, na altura). 
   Para apresentar o prémio a Perelli, Dana International levava um vestido à sua medida: um pérola glomoroso, e com uma parte de baixo bastante bojuda. Sem reparar que lhe estavam a pisar essa cauda do vestido, Dana International – que há segundos brincava com o facto de o prémio ser bastante pesado – cai, protagonizando uma das quedas mais hilariantes para os fãs eurovisivos.
   Com a sua boa disposição, a artista não ficou mal-humorada: enquanto se levantava com a ajuda de alguns elementos da delegação sueca riu a bom rir!
   E o que é que temos a retirar desta história? Que Dana caiu mas que se levantou rapidamente, como todos os corajosos fazem. Afinal, não nos podemos esquecer: ela é uma Diva! 



   De 1956 a 1998, as músicas a concurso eram interpretadas tendo uma orquestra como pano de fundo. De facto, os próprios condutores das orquestras eram maestros renomeados nos seus países e fora de portas e a referência ao nome do mesmo era sempre feita no início da apresentação da música. 

   Contudo, para tristeza de muitos dos fãs, em 1999 a orquestra foi eliminada pela própria estrutura que coordena o Festival. As razões para essa eliminação estão bem patentes no site do mesmo, onde se elencam várias razões para que esta tenha desaparecido. 
   A meu ver, todas as razões que o site nos dá se complementam para nos apresentar a triste realidade: já não se justifica uma Orquestra na Eurovisão. Com os anos 90 surgiram as músicas Pop na Eurovisão (momento 21) e a verdade é que, como nos dizem, a Orquestra não consegue produzir certos sons/efeitos que estas canções pedem. E para além disso envolve muito mais custos pagar a maestros de renome (que, se bem se lembram, vinham de cada país para o festival, atenção) e a músicos que teriam de tocar várias vezes durante os três ensaios dos dias que antecedem e precedem os TRÊS espectáculos eurovisivos (mais actuação do júri). É precisamente pelas mesmas razões que, na maioria dos programas do daytime, os artistas cantem em playback e não ao vivo.
   Claro que ter uma orquestra a acompanhar as canções dá outro ar ao festival, por assim dizer; pode, à primeira vista, fazê-lo mais elegante e parecer mais legítimo do ponto de vista musical, mas a verdade é que, em termos práticos e em pleno século XXI num programa de televisão – porque, não nos esqueçamos, é isso que, primeiro que tudo, a Eurovisão é – não resulta.
   O ano de 1999 foi um ano de mudanças cruciais no ESC: para além da Orquestra deixar de ser utilizada, também a regra da restrição da língua à qual uma nação está sujeita também terminou. 
Esta é uma regra que se foi alterando ao longo dos anos e que, ainda hoje causa alguma controvérsia.    Será mais vantajoso cantar nas línguas nativas? E que implicações fazê-lo (ou não) traz para os países e para o próprio concurso?
   A primeira vantagem em qualquer país poder cantar na sua língua será, logo à partida, a liberdade de pensamento. O letrista da música que prepara a composição para o ESC poderá escrevê-la na língua que optar, visto que a Eurovisão não impõe que se cante numa determinada língua (Portugal é uma excepção). A segunda, é o facto de podermos levar uma canção ao ESC em que a maioria das pessoas entenda o que se está a cantar. Dessa forma, a própria canção poderá ter mais hipóteses de ser votada do que as que têm uma letra que não é familiar ao espectador.
Mas também existem claras desvantagens; aliás, este último argumento faz parte dos “prós” e “contras”: o que faz a Eurovisão ser um espectáculo tão especial é, precisamente, a miscelânea de culturas. 
   Ora, a língua é o porta-estandarte de uma nação. Se esta não estiver presente na música, poderemos não reconhecer o país que está a actuar... o que quero dizer é que sem a língua, pode-se perder a identidade de uma nação. E essa é, sem dúvida, uma grande desvantagem de que, não a tendo como língua oficial, canta em inglês.
   Aliás, na Eurovisão a maioria das músicas são cantadas em inglês precisamente por esta razão. Se resulta? Fazendo contas, desde 2000 que só uma música na língua originária do país ganhou. Logo somos forçados a afirmar que sim. Mas será este o melhor caminho a seguir no Festival? Na minha humilde opinião, claramente não.



    A viragem do século trouxe a novidade da Globalização: materializou-se a ideia aliciante de que todos podemos estar ligados através de pequenas caixas interactivas e isso reflectiu-se também, obviamente, no Festival Eurovisão da Canção.
   Foi no ano 2000 que todos os indivíduos que tivessem acesso à Internet conseguiriam, pela primeira vez, ver em directo o Festival de música mais famoso no mundo. A ideia concretizou-se através da WebTV existente no site oficial eurovision.tv, que, ainda que por vezes não funcione nas melhores condições, é indispensável para assistir a algumas das pré-selecções dos candidatos, aos sorteios das ordens de apresentação das músicas, das entrevistas dadas após o vencedor ser escolhido e, claro, do próprio concurso. 
   Esta é tambem uma plataforma onde o espectador-cibernauta pode aceder, a qualquer altura e em qualquer lugar, a todos os conteúdos transmitidos desde 2008. O mesmo se aplica ao Festival da Eurovisão Júnior (JESC) e aos demais concursos da esfera da Eurovisão.

Fontes: eurovision.tv; en.wikipedia/ Imagem: Google /Vídeos: Youtube
29/10/2014

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