Eurofestival em Histórias - Sétimo Texto



Estavamos em 2006 e o Festival Eurovisão da Canção ia para a sua 51ª edição. Helena Paparizou tinha no ano anterior vencido o concurso e levado o certame nesse ano para Atenas, na Grécia. O concurso deste ano ficou marcado pela presença de uma banda heavy metal com um visual horror que causou polémica tanto no seu pais de origem como na Grécia. Claro que falo dos Lordi. A escolha da banda foi criticada na Finlândia, ao ponto de um líder de grupos religiosos ter pedido ao presidente Halonen para impedir a entrada da mesma no concurso. O cenário na Grécia foi idêntico, com apelos públicos para impedir que os Lordi participassem, alegando que se tratava de um grupo satanista. Foram ainda instaurados três processos legais contra a banda, na Grécia.
É certo e sabido que a polémica sempre ajudou no ESC. Em 2006 o caso não foi diferente. Os Lordi venceram o concurso, mas não se limitaram a vencer. A banda tornou-se recordista de pontos, tendo sido pontuada por todos os países menos Mónaco, Albânia e Arménia. No total foram 292 pontos nos quais se encontram, curiosamente, 12 pontos dados pela Grécia. Rumor ou não, diz-se que estes 12 pontos foram fruto da revolta dos gregos contra os elementos conservadores do país, que tinham criticado os Lordi.
Actualmente, os Lordi são dos vencedores da Eurovisão mais conhecidos. A participação da banda foi das mais polémicas de sempre, mas mais uma vez se provou que a diferença não é uma coisa má. Depois de todos estes anos, os únicos vencedores finlandeses continuam a estar na memória de todos os fãs.



Continuamos em 2006, que foi com certeza o ano dedicado à escandaleira. Não bastava a banda finlandesa que abanou os ânimos em Atenas, Sílvia Night também deu o ar da sua graça. Representante islandesa, ficou em 13º lugar na semi-final, com 62 pontos. Silvia Night é uma personagem criada por Silvia Nótt para integrar o seu talk-show de comédia e apresentou-se em Atenas como vencedora do certame, com a sua música “Congratulations”. Vitória ela não conseguiu, mas o que é certo é que marcou o ano. E porquê? Porque Sílvia Night tem com certeza mau perder. “Bastardos ingratos! Votam em pessoas feias da Finlândia que não têm sequer maquilhagem de artista, e votam em mim porque não sou uma vagabunda da Holanda e não sou uma p*** velha e feia da Suécia ! (...)”. Sim, Sílvia Night disse isto, com todas as letras, a uma jornalista, que de caminho também foi insultada e ameaçada de ser processada. A pobre da jornalista foi acusada pela cantora de a ter difamado, porque a sua estação de televisão tinha dito que a mesma odiava a Grécia e os gregos.
Silvia Night pode não ter vencido o concurso, nem ter andado perto disso, mas se houvesse prémio para a concorrente mais escandalosa, com certeza seria dela. Dela e de mais ninguém, porque caso contrário ainda choviam mais insultos.


Continuamos em 2006, e mais um marco histórico foi atingido este ano. Para além de se ter atingido o número máximo de pontos atingidos até então, também subiu ao palco a música número 1000. 51 anos após o início do certame, 1000 músicas já tinham sido apresentadas, o que com certeza demonstra a grandiosidade deste festival. O país felizardo que apresentou a música número foi, curiosamente, a Irlanda, que já fazia parte da história do festival pelo seu número de vitórias e as três vitórias consecutivas. A música foi “Every Song is a Cry For Love” e foi interpretada por Brian Kennedy. Esta música congratulou-se como sendo a número 1000 na sua apresentação na semi-final, mas foi possível voltar a ouvi-la na final, já que a mesma se qualificou. Na final, Brian conseguiu um décimo lugar, com um total de 93 pontos.


E se fossemos escolher o ano em que mais acontecimentos históricos ocorreram, esse ano com certeza seria 2006. Pelos piores e melhores motivos, 2006 está carregado de acontecimentos. Este, no entanto, veio influenciar o concurso que hoje em dia entra na nossa casa. O festival já tinha sido a preto e branco, já tinha tido apenas orquestra, já tinha sido algo focado apenas em música, mas em 2006 houve uma mudança significativa em termos visuais: utilizou-se pela primeira vez a pirotecnia. Uma das participações que foi embelezada com este efeito foi justamente a dos Lordi, os vencedores desta edição. Claro que ele não precisavam de fogo para dar nas vistas, mas também é preciso admitir que a pirotecnia fez a sua diferença na atuação ao vivo. A verdade é que este é um efeito visual muito usado e daqueles que com certeza chama a atenção dos espectadores, embelezando músicas que sem eles não teriam metade do valor. Consigo contar só este ano imensas prestações que não me chamariam tanto a atenção se não fosse o espectáculo de fogo. Os gregos podem ter sido retrógrados em relação aos Lordi, mas pelo menos inovaram ao permitir esta novidade que se tornou parte integrante do festival.




Há um momento eurovisivo que qualquer fã português nunca irá esquecer. É simplesmente impossível! Desde que tinha entrado o sistema de semi-finais, em 2004, que Portugal nunca se tinha qualificado para a final. Mas o cenário estava para mudar em 2008, quando os portugueses elegeram “Senhora do Mar”, interpretada por Vânia Fernandes, para ser a sua representante, em Belgrado, na Sérvia, na 53ª edição do Festival Eurovisão da Canção. A música caiu muito bem no engodo dos fãs europeus, que cedo começaram a apontá-la como uma das favoritas à vitória. Mas como bons portugueses que somos, nunca podemos ter certeza de uma qualificação, quanto mais de um bom resultado. Vânia Fernandes actuou na 2ª semi-final, sendo a 19ª a subir ao palco. A actuação portuguesa foi aplaudida e adorada pelos fãs, mas isso nem sempre se traduz em votos. Foi preciso esperar pelos resultados para finalmente suspirar de alívio e celebrar a passagem à final, e mesmo isso foi uma tortura! Nove países foram anunciados como presentes na final, e Portugal continuava de fora. Um lugar vago, e os esperançosos continuavam a acreditar. E então chega o momento que arrepia qualquer fã português. “WHAT ARE YOU SAY? WHO IS GOING INTO FINAL THIS YEAR?”, perguntavam os apresentadores. E o que é que a audiência respondeu? Isso mesmo! “PORTUGAL, PORTUGAL!” E eis que o nome de Portugal é revelado, depois de a audiência gritar vezes sem conta pelo nosso país, e este se torna um dos momentos guardados com mais carinho pelos portugueses.
“Senhora do Mar” qualificou-se para a final com 120 pontos, tendo ficado em 2º lugar na semi-final. Na final terminou em 13º lugar, com 69 pontos.



12/11/2014
Imagens: Google/Vídeos: Youtube
 

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